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Mercado secundário de debêntures cresce 167% no primeiro semestre

Maria Christina Carvalho, de São Paulo

O mercado secundário de debêntures começou a decolar neste ano. Uma das mais importantes consequências disso é a melhora das condições de lançamento de novos papéis pelas empresas. “Se há mercado secundário, as empresas vendem seus papéis com mais facilidade e a taxas menores”, disse o presidente da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), Sérgio Cutolo.
A queda da taxa básica de juros (Selic) é o principal motivo do aquecimento do mercado secundário das debêntures, que ganharam mais espaço entre os investimentos de renda fixa. 
Levantamento feito pela Andima mostra que os negócios no mercado secundário de debêntures saltaram 167% no primeiro semestre deste ano, totalizando R$ 10,8 bilhões, em comparação com R$ 5,4 bilhões em igual período de 2008. Os números não incluem as debêntures de empresas de leasing. Se os papéis das empresas de leasing forem incluídos, os negócios também mostram crescimento expressivo de 85%, de R$ 32 bilhões para R$ 59 bilhões. 
Das 32 emissões primárias registradas nos primeiros seis meses de 2009, no valor de R$ 6,955 bilhões, apenas nove podiam ser negociadas no mercado secundário no período. A razão é que, do total de debêntures lançadas, 23 foram emitidas sob as regras de esforços restritos da Instrução nº 476 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que só podem ser negociadas no mercado secundário após 90 dias de carência, prazo que deve terminar no segundo semestre. Cutolo notou também como sinal positivo a desconcentração. Em 2008, os dez papéis mais negociados representaram 64% do movimento no mercado secundário de debêntures; neste ano, o percentual caiu para 54%, ainda excluindo as emissões de leasing
Nos dois anos, informou a Andima, o papel mais negociado foi CVRD27, da Vale do Rio Doce, que tem valor de emissão R$ 1.000,00 e obteve boa aceitação no varejo. Só essa debênture foi responsável por 11% do total dos negócios no mercado secundário no primeiro semestre de 2008, por 21,5% das operações do segundo semestre daquele ano e por 22% nos primeiros seis meses de 2009. 
No auge da crise de crédito do segundo semestre, as debêntures mais negociadas foram duas emissões da Vale e uma da Petrobras, que, juntas, responderam por 36% do volume total girado no mercado secundário. Para os técnicos da Andima, isso significa que o investidor busca o menor risco. 
Uma das mais importantes consequências do aumento dos negócios no mercado secundário de debêntures é a redução dos juros pagos pelos papéis. Segundo levantamento da Andima a debênture CVRD27 que era negociada, em média, por uma taxa equivalente à do certificado de depósito interbancário (CDI) mais 1,82% ao ano em janeiro, caiu para CDI mais 1,34% ao ano. O mesmo aconteceu com debêntures indexadas a índice de preços. A BNDP12, emitida pelo BNDES, com a taxa de IPCA mais 6% ao ano, passou de 10,21% para 7,28% no mesmo período de negociação, acompanhando o fechamento de taxas das NTN-B. 
Cutolo afirmou que há espaço para essas operações crescerem mais à medida que o mercado se normalizar. Os principais participantes do mercado secundário de debêntures são as tesourarias dos bancos. Mas o investidor pessoa física começa a ser atuação relevante com o aumento das emissões de debêntures de menor valor unitário, destinadas ao varejo.

Veículo: Valor Econômico